"Tarcila do Amaral: Operários" Desce a rua apinhada de gente
Toda manhã a mesma via crucis
Maquinalmente caminha
Não raciocina, não precisa pensar
para chegar ao destino
que procura cegamente
todas as manhãs
O tempo nublado,
a garoa fina,
o gosto do café amargo
algumas baforadas no cigarro
e a vida passando pela janela
se perdendo nessas manhãs
de obrigações,
de solavancos no ônibus
enquanto cochila e sonha
com outra vida
que de tão distante
talvez nunca chegue a ter
Às 8 em ponto
Admira o portão da fábrica
Bate o cartão
E é engolido
mastigado
afogado nas entranhas
das máquinas
Já não tem mais ilusões
Nem esperanças
Lembra-se da infância
da escola
dos primeiros amores
do primeiro porre
são lembranças coloridas
que se perdem no cinza
da vida cotidiana
Lembra-se indignado
da vida que tinha tudo para ser
realmente vida
e agora, essa existêcia
de que mais valia?
em seu peito agora ardia
apenas uma fagulha
abafada sempre
pela normalidade
pelos padrões
pelo apito da fábrica
pelos solavancos no ônibus
pelas manhãs de garoa
cafés amargos
baforadas no cigarro
O tempo nublado,
a garoa fina,
o gosto do café amargo
algumas baforadas no cigarro
e a vida passando pela janela
se perdendo nessas manhãs
de obrigações,
de solavancos no ônibus
enquanto cochila e sonha
com outra vida
que de tão distante
talvez nunca chegue a ter
Às 8 em ponto
Admira o portão da fábrica
Bate o cartão
E é engolido
mastigado
afogado nas entranhas
das máquinas
Já não tem mais ilusões
Nem esperanças
Lembra-se da infância
da escola
dos primeiros amores
do primeiro porre
são lembranças coloridas
que se perdem no cinza
da vida cotidiana
Lembra-se indignado
da vida que tinha tudo para ser
realmente vida
e agora, essa existêcia
de que mais valia?
em seu peito agora ardia
apenas uma fagulha
abafada sempre
pela normalidade
pelos padrões
pelo apito da fábrica
pelos solavancos no ônibus
pelas manhãs de garoa
cafés amargos
baforadas no cigarro
esperando pelo ônibus
pela morte
pelo possível.
(Beat)



