sábado, 5 de fevereiro de 2011


Ah, seu eu soubesse sambar
Todas as noites seriam terça feira
Todo feriado Carnaval
E toda tristeza apenas uma máscara
Pintada no rosto de um Pierrô iludido
Encenando um amor impossível
Pela faceira Colombina
Se eu soubesse sambar...
Nem a lágrima mais doída
Nem todas as feridas da vida
Seriam pàreas,
para o ricochetear incessante
De meus pés pela avenida
E viria gente de todos os cantos
Gritando para todo o mundo:
"Abram alas, abram alas! Eis aqui um homem de verdade!"
E a festança acabaria em muita cerveja
Eu me enrabicharia com a mais bela das concubinas
E os batuques ao meu redor se fariam mais fortes
E seriam ouvidos em qualquer parte da terra
E nada mais importaria
Se eu soubesse sambar...
(Jefferson Beatnik)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ακαδήμεια



Nos prédios bem cuidados das instituições de ensino superior, almas penadas passeiam entre a lanchonete e a biblioteca.

Enquanto isso, no longinquo jardim de Academo, espíritos dançam sobre os túmulos revirados de Platão e Pitágoras.

Nas Universidades, a estupidez se universaliza
E por entre os escombros do saber acadêmico, jaz o pensamento.


Jefferson Beatnik

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Tarcila do Amaral: Operários"

Desce a rua apinhada de gente
Todos os dias a mesma via crucis
Maquinalmente caminha
Não raciocina, não precisa pensar
para chegar ao destino
que procura cegamente
todas as manhãs

O tempo nublado,
a garoa fina,
o gosto do café amargo
algumas baforadas no cigarro
e a vida passando pela janela
se perdendo nessas manhãs
de obrigações,
de solavancos no ônibus
enquanto cochila e sonha
com outra vida
que de tão distante
talvez nunca chegue a ter

Às 8 em ponto
Admira o portão da fábrica
Bate o cartão
E é engolido
mastigado
afogado nas entranhas
das máquinas

Já não tem mais ilusões
Nem esperanças
Lembra-se da infância
da escola
dos primeiros amores
do primeiro porre
são lembranças coloridas
que se perdem no cinza
da vida cotidiana

Lembra-se indignado
da vida que tinha tudo para ser
realmente vida
e agora, essa existêcia
de que mais valia?
em seu peito agora ardia
apenas uma fagulha
abafada sempre
pela normalidade
pelos padrões
pelo apito da fábrica
pelos solavancos no ônibus
pelas manhãs de garoa
cafés amargos
baforadas no cigarro
esperando pelo ônibus
pela morte
pelo possível.
(Beat)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vício


De todos os vícios
por mim adquiridos
ao longo desses anos perdidos,
não é o álcool nem o tabaco
não é o pó nem o baseado

Loteria, rinhas ou
o carteado
poker, bingo
ou demais jogatinas

Não é a literatura e nem a filosofia
o futebol ou o cinema,
noites de sábado, putas e orgias
e nem mesmo as quartas feiras de novena

De todos os vícios que adquiri
ao longo da vida
nenhum é mais destrutivo
e destituido de sentido
do que o de sofrer
continuamente
por um amor
mal resolvido...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Que se foda!

Dedicado à querida amiga Juliana Meireles!

*

Que se foda
Tudo que for dar
Em dor
-
Hedonismos à parte
se viver é uma arte
gozarei seu resplendor
-
E zombarei dos fracassos
dos pobres coitados
que chafurdam no amor
(Beat)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


*

Na profunda solidão
de meu quarto vazio
vejo a luz do sol se esgueirando
pelas frestas da janela
Iluminando forçosamente
retratos forjados
de amigos inexistentes
Momentos nunca vividos
e paisagens impossíveis
Sinto saudades de lugares
em que nunca estive
De mulheres que nunca amei
e dos caros vinhos franceses
que nunca experimentei
-

Talvez viver seja isso
Um querer incessante,
mesmo à revelia
De atingir o inatingível
Um não estar nunca satisfeito
Por mais que tudo já tenha sido feito
Para tentar matar o tédio
E sepultar a melancolia

(Beat)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Embreaga-te a tí mesmo!*


Um copo leva a outro copo
E o próximo exige mais um
Cerveja, vinho, vodka e rum...

Um drink chama mais outro
Do quinto em seguida
Já estou meio tonto
Mas há sempre um motivo
Para recomeçar
O show não pode parar
Mesmo que o teto comece a girar
E o boteco da vida
Ameace fechar
*
Dedicado aos leais amigos, de copo e filosofia das "sextas -bar".
Os vagabundos iluminados que mantém as portas do boteco da vida sempre abertas para mais uma celebração.